Entro,
após vagar pelo estacionamento A e pelo estacionamento B sem sucesso por uma
vaga, consigo no último, o estacionamento C, onde o primeiro indivíduo do qual
sentiria nojo e mal estar naquela tarde se encontra, o típico “coxinha” camisa
gola polo branca bem passada da grife Overend,
o olhar é penetrante, objetivo e concentrado na tela do celular, tem a
aparência robusta, corpulento, e sem a mínima atenção e importância com o mundo
a sua volta, pois o seu tempo é aquele instante compenetrado no iphone 4s branco. A sensação foi de “tudo
bem acabei de chegar, deve ser uma exceção” ou por um lapso bem rápido de
memória acreditei que seria uma infeliz receptividade atípica, subo na escada
rolante, com os olhos atentos para o que viria em seguida, sem antes o meu
horizonte poder me oportunizar o que iria vê em seguida, já estico o pescoço
para matar a mínima curiosidade, até que chego ao andar em que desejo, e a
sensação foi a pior possível, por um momento pensei em retornar e desistir do
programa familiar, a fila era enorme, e o pior, cheio deles, de todas as formas
com as quais se caracterizam e são intitulados, camisa polo bem alinhada de
alguma grife famosa, a bermuda de cor chapada para combinar com a vestimenta
superior, o cabelo rigorosamente penteado para um dos lados esquerdo ou direito
sempre discreto, alguns utilizavam óculos de grau fortificando ainda mais seus
traços característicos, e sempre, mas sempre mesmo, o eterno companheiro de
status e glamour e objeto fundamental para sua derivação como tribo urbana, o
smartphone, iphone 4s e Samsung galaxy são os mais comuns, eles
abrem, liberam a senha, obrigatoriamente o primeiro aplicativo a ser aberto é o
Whatsapp, sorriem, ficam sérios, incrédulos, olham para o lado para vê se podem
abrir vídeos pornográficos e quando você chama a atenção para ele caminhar com o
andar da fila, o sujeito ainda faz vista grossa como se estivesse incomodando a
sua inestimável e prazerosa quase que sagaz relação com o celular, virando as
costas de forma abrupta e jamais querendo ter outro contato destes, mesmo que
daqui a 1 minuto a fila volte a andar e o repertório de ações humanas seja o
mesmo.
Eles
são 10,20,30 enfim, espalhados por todo o saguão, com as mesmas atitudes,
previsíveis, comuns, sempre com requinte de indiferença com quem não esteja de
acordo com o “padrão” coxinha, a chave do carro pendurado na bermuda- mesmo com
4 bolsos disponíveis - soa como o grand finale da personificação coxiniana,
desço a escada rolante como quem desce uma escada normal, entro no agradável
banheiro e me deparo com outros dois fazendo selfie no espelho, é o ponto
culminante para minha retirada em disparada para o estacionamento C, ligo o
carro e com o passar dos quilômetros distante daquele lugar o alívio vai me
ajudando a esquecer aquela trágica tarde de domingo em um shopping da cidade.
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